O crédito no Brasil segue caro e seletivo no modelo tradicional, a Selic ainda em patamar elevado, a qualidade do crédito em deterioração segundo o Banco Central, a inadimplência subindo entre PMEs e chegando a mais de 8% no agronegócio.
Mas, paralelamente, uma reforma estrutural mais ampla está destravando uma segunda via de acesso a crédito mais barato e ágil: a duplicata escritural entra em vigor plena em 2026, substituindo papel por registro eletrônico vinculado à nota fiscal; o Pix Automático avança; fintechs e modelos de scoring por IA ganham força. O cenário atual revela uma divisão que vai além de juros.
Duas velocidades de acesso
– O crédito não está ficando uniformemente mais fácil nem mais difícil, está se dividindo em duas velocidades bem distintas. De um lado, o crédito tradicional segue caro e seletivo. Do outro, surgem novas portas de acesso mais ágil e barato. A diferença entre quem entra por uma porta ou outra não é o tamanho da empresa, é o nível de organização dela.
– A duplicata escritural só vira vantagem real para quem já tem governança financeira consolidada. Hoje, apenas cerca de R$ 3 trilhões dos R$ 11-13 trilhões movimentados em duplicatas no Brasil são usados como garantia de crédito. A nova regra reduz risco de fraude e amplia esse potencial, mas só para empresas que já têm nota fiscal organizada, conciliação de recebíveis e dados confiáveis. Quem opera no informal ou no “controle de planilha” não acessa essa porta, mesmo com a reforma pronta.
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